
Qualquer fã de simuladores de vôo que se preze conhece a DiD. Ainda nos longínquos tempos do MS-DOS, estes senhores redefiniram todos os padrões de realismo e pormenor com o seu EF 2000. Agora, depois de alguns títulos à volta do F-22 Lightning II, o caça de nova geração europeu volta a ser a estrela.
A história coloca-nos na Islândia, alguns anos no futuro, face a uma invasão Comunista (ainda).
A campanha é dinâmica e desenrola-se em tempo real: os acontecimentos são narrados através de relatórios militares, mapas estatégicos e reportagens televisivas, tudo isto ao sabor dos sucessos e insucessos das nossas missões e num estilo muito Tom Clancy. ET (curiosa abreviatura) dá um novo sentido ao conceito de campanha dinâmica.
No início do jogo escolhemos 6 pilotos que acompanharemos ao longo da campanha. Saber gerir os seus talentos e fraquezas é a chave para o sucesso. A qualquer momento podemos ver o que cada um está a fazer, através de uma barra a que se acede levando o rato até ao fundo do ecrã.
No topo do ecrã acedemos a outra barra que nos dá acesso aos mapas, relatórios, lista de missões, etc. O jogo acaba se os 6 pilotos morrerem.
Como a campanha se desenrola em tempo real, temos que aguardar pelos acontecimentos, o que se pode tornar uma seca. Podemos acelerar o tempo, mas apenas por um factor de 2. Existe, no entanto, a Smart Cam – uma câmera que nos mostra as várias missões aliadas e inimigas que estão a decorrer num estilo replay (um must).
No entanto, e apesar de ter havido um esforço para manter o jogador ocupado, surgem inevitavelmente alguns periodos mortos, que são o grande defeito de ET.
De lamentar também é a limitada capacidade de gestão dos pilotos: estes podem ser capturados, interrogados pelo inimigo, podem cair em pleno mar e ser salvos ou não, mas a nossa participação nestes eventos é quase nula. Todas as missões são geradas por estrategas virtuais ao sabor dos acontecimentos.
Resta-nos o prazer de voar: o modelo de vôo é extremamente realista, mas o avião não é difícil de controlar, isto porque o Eurofighter contém toda uma panóplia de sistemas que impedem o piloto de fazer grandes asneiras, ao mesmo tempo que fornecem informações muito precisas e claras sobre o espaço aéreo. É o avião ideal para um jogo.
Os gráficos são um luxo! O motor gráfico permite cenários e aviões cheios de detalhe, sempre com uma fluidez impecável, mesmo quando existem dezenas de aviões ao mesmo tempo no ecrã. Contem encontrar todo o tipo de aeronaves modernas, incluindo alguns aviões pouco habituais nos simuladores como o SAAB Grippen.
O cockpit virtual é fabuloso, mas infelizmente contém apenas texturas estáticas – não há botões nem interruptores funcionais.
Os 3 MFDs (ecrãs de informação do cockpit) são estáticos, o que é inaceitável quando pensamos que já o velhinho EF 2000 nos apresentava todos os instrumentos em funcionamento no cockpit virtual. Aqui temos acesso aos MFDs apenas na forma de janelas sobrepostas à imagem do jogo.
Bem feitas as contas, ET não é um simulador de vôo espectacular. O seu modelo de vôo soberbo e motor gráfico potente, bem como os detalhes tácticos do combate aéreo, fazem dele uma boa escolha para os fãs.
A simplicidade de controlo e da interface, tornam-no uma boa escolha para os iniciantes. O resultado é um bom compromisso. Mas fica a sensação de que não é carne nem é peixe... e um sabor a pouco.
Download
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